sábado, 4 de maio de 2019

Leitura de textos acadêmicos. Texto 1


Desenvolvendo a competência na leitura de textos acadêmicos.

A leitura de textos acadêmicos é fundamental para o aluno do ensino superior. Ao entrar na faculdade o aluno se confronta com textos que, na maior parte das vezes, foram escritos por um intelectual para expor as suas ideias aos seus pares, ou seja, para outros intelectuais. Não poderia ser diferente, pois espera-se que os alunos, uma vez formados, possam participar desse debate. Isso, certamente coloca dificuldades de compreensão para os alunos iniciantes. O problema é que sem compreender perfeitamente os textos dados, o aluno não poderá crescer intelectualmente.
Acreditamos que a leitura de textos acadêmicos é uma competência que pode e deve ser desenvolvida. Evidentemente que isso demanda esforço por parte dos alunos. O ideal seria que aos alunos fosse dado gradativamente textos com dificuldades que se tornariam crescentes e, dessa forma, o aluno iria se familiarizando com as dificuldades de compreensão inerentes aos textos acadêmicos e avançando de forma segura na compreensão dos mesmos.  Isso, contudo, seria o conteúdo de um curso.  
A competência da leitura de textos acadêmicos é, de certa maneira, como a forma física. Entramos em forma, quanto mais praticamos. Assim, vamos postar textos que tratem de assuntos correlatos ao campo da Administração e que foram escritos por autores que, em grande medida, pautam a discussão atual sobre cada um dos temas apresentados. Ao lê-los, o aluno estará adentrando no debate sobre o tema em pauta e enfrentando a complexidade dos textos acadêmicos. Os textos postados são curtos para que o aluno possa relê-los até tê-los entendido adequadamente.

Textos 1 .
O futuro do trabalho e do emprego

Os textos que você lerá abaixo tratam do futuro do trabalho e do emprego. Eles fazem algumas previsões sobre o que acontecerá com o trabalho e com o emprego seja a curto ou a médio prazo. E
Lembre-se que os textos abaixo tratam de previsões sobre o mundo do emprego e do trabalho. Toda previsão parte de uma ou mais premissas sobre o mundo atual. Por isso, é necessário que você perceba que são estas premissas que fundamentam a previsão.
O conteúdo desses textos não esgota a discussão sobre o futuro do emprego e do trabalho. Ao ler e compreender esses textos, o aluno estará mais capacitado a acompanhar a discussão que é feita sobre esse tema e começar a ter um discurso concatenado sobre o tema. Nunca se esqueçam de citar o nome autor ao responder o que for pedido. 

Texto 1. 

O texto abaixo são as primeiras páginas do capítulo 1 do livro  The End of Work. The Decline of the Global Labor Force and the Dawn of the Post-Market Era. Jeremy Rifkin. NY. The Putnam Book,1995. Há uma versão em português. O Fim dos Empregos. O contínuo crescimento do desemprego em todo o mundo. Jeremy Rifkin, SP. M.Books, 2004.
Este texto é de baixa dificuldade de compreensão.
 “Desde o seu início, a civilização tem sido estruturada, em larga medida, em torno do conceito de trabalho.  Dos caçadores e coletores do período paleolítico, do pelo agricultor do período neolítico e da antiguidade, passando pelo artesão medieval e chegando a linha de montagem das fábricas modernas, o trabalho tem sido uma parte muito importante da nossa existência. Agora, pela primeira vez, o trabalho humano tem sido sistematicamente eliminado do processo de produção. Em menos de um século o trabalho em massa, característica dos tempos que nos antecederam está sendo reduzido drasticamente em todas as nações industrializadas. Uma nova geração de tecnologias da informação e de comunicação estão sendo rapidamente introduzidas em uma ampla gama de situações de trabalho. Máquinas inteligentes estão substituindo os seres humanos em um grande número de tarefas, levando milhões de trabalhadores nas fábricas e escritórios ao desemprego e à pobreza.

Nossos líderes corporativos e economistas nos dizem que o crescente desemprego expressa apenas um ajuste de curto prazo necessário em vista das forças de mercado decorrentes da Terceira Revolução Industrial. Eles anteveem a promessa de um mundo de elevado progresso tecnológico, grande aumento do comércio mundial e de inigualável abundância material.

Milhões de trabalhadores estão céticos. Toda semana eles aprendem que devem se preparar para algo ruim. Nos escritórios e fábricas em todo o mundo, as pessoas esperam com medo, acreditando que serão demitidas em breve. Tal qual uma epidemia mortal que inexoravelmente vai matando um grande número de pessoas, a estranha e aparentemente inexplicável nova doença econômica destrói vidas e desestabiliza comunidades em seu avanço. Nos Estados Unidos, as empresas têm eliminado mais de dois milhões de empregos anualmente.  Em Los Angeles, o First Interstate Bankcorp, o décimo terceiro maior banco do país, recentemente reestruturou suas operações eliminando 9 000 empregos, o que significa mais de 25% da sua força de trabalho. Em Columbus, Indiana, a empresa Arvin fez uma reestruturação na planta produtiva da sua fábrica de componentes automotivos e demitiu quase 10% dos seus empregados. Em Danbury, no estado de Connecticut, a Union Carbide empreendeu uma operação de reengenharia em toda a empresa. No ano de 1995, com essa reengenharia, a Union Carbide, reduziu seus custos em 575 milhões de dólares. Esse processo 13 990 empregados, quase 22% da sua força de trabalho, foram demitidos. A Union Carbide espera cortar mais 22% dos seus empregados nos próximos dois anos.

Centenas de outras companhias também estão anunciando que farão demissões. A GTE, uma gigante do ramo telefônico, recentemente cortou 17 000 empregos. A NYNEX Corporation anunciou estar cortando 16 800 empregos. A Pacific Telesis pretende cortar mais de 10 000. A maioria dos cortes, diz o Wall Street Journal, estão sendo causados pela introdução de novos programas de computador, redes mais amplas de comunicação e outras inovações no campo da tecnologia que possibilitam as empresas produzirem mais com menos empregos.

Há empregos sendo criados na economia norte-americana, porém, eles são nos setores que notoriamente pagam baixos salários e nos empregos temporários.  Em abril de 1994, dois terços dos novos empregos criados no país foram na parte de baixo da pirâmide salarial. Os dados referentes ao ano de 1994 mostram que o desemprego nas grandes corporações aumento em 13% em comparação ao ano anterior.

A redução dos empregos bem pagos não é exclusividade da economia dos Estados Unidos. Na Alemanha, a Siemens, um gigante do ramo eletrônico e da engenharia, em três anos, reduziu o seu corpo gerencial em quase 30% e eliminou mais de 16 000 empregos em suas empresas em todo o mundo. Na Suécia a ICA fez um processo de reengenharia em suas operações e informatizou inúmeras operações. Essas inovações gerenciais e tecnológicas possibilitaram a empresa reduzir em 30% os seus depósitos e centros de distribuição, cortando seus custos pela metade. Esse processo permitiu a ICA demitir mais de 5000 trabalhadores, o que corresponde a quase 30% de toda a sua força de trabalho e, ao mesmo tempo, aumentar seus rendimentos em mais de 15%.  No Japão, a NTT, uma empresa gigante do ramo de telecomunicações, anunciou a intenção de cortar 10 000 empregos em 1993 e acrescentou que, como parte do seu programa de reestruturação, ela poderia ainda vir a cortar mais 30 000 empregos, ou seja, 15% da sua força de trabalho.

O número de desempregados e de subempregados está aumentando diariamente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.  As nações em desenvolvimento enfrentam o desemprego tecnológico nas filiais das multinacionais instaladas em seus territórios. Desta forma milhões de pessoas se veem numa situação de total insegurança tendo em vista que não têm como enfrentar e resistir às estratégias de corte de custo (reengenharia), às inovações tecnológicas introduzidas no mundo empresarial. Em um número cada vez maior de países as notícias que vêm do mundo das empresas falam de modo de produção enxuto, reengenharia, gerência de qualidade total, pós-fordismo, downsizing e outras que fazem que homens e mulheres fiquem extremamente preocupados em relação ao futuro. Os jovens estão aprendendo a descarregar suas frustrações através de comportamentos antissociais.

Trabalhadores mais velhos que viveram um passado próspero e de esperança temem um futuro sombrio e se sentem aprisionados por forças sobre as quais não têm o menor controle. Por todo o mundo há uma clara certeza de que uma mudança profunda está em curso. Uma mudança tão profunda e vasta que mal podemos compreender seu impacto. A vida, como nós a conhecemos está sendo alterada de forma fundamental. ” 

Atividade do texto 1

 Qual é a tese defendida por Jeremy Rifkin e como ele fundamenta a sua tese?

Texto 2.

O texto abaixo foi retirado do livro: Um Mundo sem Empregos. Jobshift. Os Desafios da Sociedade Pós-Industrial. William Bridges. SP. Makron Books, 1995. Lembro que, às vezes, alterei a ordem de alguns parágrafos para que a ideia central do autor fosse mais facilmente percebida e (ou) o texto ficasse mais fácil de ser entendido.

O texto abaixo apresenta uma dificuldade um pouco maior uma vez que ele estabelece uma distinção entre dois conceitos que, no dia a dia, são tratados como sinônimos. Sem perceber essa distinção,   o aluno não compreenderá o texto.

“ Enquanto escrevo este prefácio, o jornal da manhã traz mais um caso de novas ´perdas de emprego´ - na verdade, diversos casos. Dizem-nos que a recessão já acabou há muito tempo, mas a porcentagem da força de trabalho que está desempregada não caiu de maneira como aconteceu no final das recessões anteriores. A administração Clinton está tentando ‘criar empregos’ , embora seus críticos afirmem que alguns dos novos impostos e regulamentos ‘destruirão os empregos’ . Ouvimos dizer que a única maneira de protegermos nossos empregos é aumentar nossa produtividade, mas depois descobrimos que fazer a reengenharia de nossos processos de trabalho , utilizar equipes autogeridas , nivelar nossas organizações e transferir nossos trabalhos rotineiros sempre torna muitos empregos redundantes.
“A realidade é muito mais preocupante porque o que está desaparecendo hoje não é apenas um certo número de empregos, ou empregos de certas áreas econômicas, ou empregos de alguma parte do país - ou até mesmo empregos nos Estados Unidos como um todo. O que está desaparecendo é a coisa em si: o emprego. Essa tão procurada e tão difamada entidade social está desaparecendo hoje como uma espécie que sobreviveu além do seu tempo evolucionário. ”
“ O emprego é um artefato social , embora esteja tão arraigado em nossas consciências que a maioria de nós se esqueceu de sua artificialidade ou do fato de que a maioria das , espécies , desde o início dos tempos, tenha se saído muito bem sem empregos. O conceito de emprego surgiu no começo do século XIX , para englobar o trabalho que precisava ser feito nas crescentes fábricas e burocracias das nações em fase de industrialização . Antes de ter empregos, as pessoas trabalhavam de maneira igualmente árdua , mas em grupo mutáveis de tarefas , numa variedade de localizações , de acordo com uma programação determinada pelo sol, pelo tempo e pelas necessidades do dia. O emprego moderno foi uma nova ideia assustadora – para muitas pessoas , uma ideia desagradável e até mesmo socialmente perigosa. Seus críticos afirmavam que era um modo antinatural e até desumano de se trabalhar. Previam que a maioria das pessoas não seria capaz de conviver com suas exigências.” Páginas XIV e XV
Mas esta não é mais uma lamúria de que ‘ a economia está afundando’ – longe disso, porque acredito que o mundo moderno encontra-se `a beira de um enorme salto rumo à criatividade e produtividade. Mas o emprego não vai fazer parte da realidade econômica de amanhã. Embora sempre exista uma enorme quantidade de trabalho para ser feita, este livro sugere que o trabalho não estará contido nos invólucros tão conhecidos a que chamamos de emprego. Na verdade, muitas organizações hoje estão prestes a ficar ‘desprovidas ‘ de emprego.
“ No sentido quantitativo, o desaparecimento dos empregos é simplesmente um jogo de números: o mesmo trabalho que há alguns anos costumava exigir uma centena de trabalhadores, hoje pode ser feito por cinquenta – e talvez por dez amanhã. Isso não é novidade. Já estamos transferindo as tarefas de fabricação para máquinas há quase duzentos anos. Fizemos isso tão eficazmente que o setor industrial de nossa economia hoje produz, com um número não maior de trabalhadores, cinco vezes mais bens do que ao final da Segunda Guerra Mundial. ”
Não são apenas os empregos na área de produção que estão desaparecendo. Proporcionalmente, os empregos administrativos estão desaparecendo ainda mais rapidamente e outro tanto está ameaçado
Está ocorrendo uma mudança qualitativa também. Não se trata apenas de um número menor de empregos ao estilo antigo. As condições de trabalho motivadas pelas novas realidades tecnológicas e econômicas não são empregos no sentido tradicional.; e em grande parte do que está sendo feito nas organizações atualmente é feita por pessoas que não têm um ‘ emprego formal’ . Certamente é sugestivo que a empresa privada que emprega mais americanos do que qualquer outra – cujos 560 000 empregados superam outros gigantes como a GM (atualmente com 365 000 e a IBM (atualmente com 330 000) – seja uma agência de empregos temporários , a Manpower. Não há dúvida de que, como a imprensa começou a reconhecer, os Estados Unidos estão sendo ‘temporizados’. Os trabalhos temporários e de horário não integral estão participando cada vez mais do trabalho das organizações americanas, e o processo tem ido mais longe do que a maioria das pessoas pode perceber. Um memorando confidencial do Bank of America, que vazou para a imprensa, estimava que ‘ logo somente 19% dos empregados do banco ainda trabalharão em tempo integral’ páginas 8 a 11
“Algumas das alternativas para os empregos são óbvias: você pode iniciar um negócio por conta própria ; pode tornar-se um artista , um consultor, pode fazer trabalho autônomo , ou trabalho em tempo não integral , ou trabalho por empreitada em sua casa. E, sob a pressão do desaparecimento dos empregos nas organizações americanas, cada vez mais pessoas estão fazendo estas coisas. Mas há também outra resposta mais difícil de ser articulada (e impossível de se medir) porque não se situa dentro das fronteiras familiares do tempo não integral e do auto emprego. Essa resposta é que você pode fazer aquilo que um número cada vez maior de pessoas está fazendo: trabalhando dentro de organizações como empregados de tempo integral , mas sob arranjos por demais fluídos e idiossincráticos para serem chamados de empregos. P. 46 e 47
“ Encontramo-nos num divisor de águas comparável atualmente. Novamente, o futuro parece ser tão perigoso quanto incerto. Novamente podemos ver os sombrios contornos do novo mundo pós-emprego e, mais uma vez não temos certeza de que seremos capazes de administrar a nova vida que nos espera. E o que devemos fazer ? p. 190
“Todos nós teremos de aprender novas maneiras de trabalhar. ...Embora em alguns casos as novas maneiras de se trabalhar exijam novas habilidades tecnológicas, na maioria das vezes exigirão algo mais fundamental: a ‘habilidade’ para descobrir e realizar trabalho num mundo sem empregos bem definidos e estáveis. Tornou-se quase um truísmo que as carreiras hoje devem ser autogeridas, mas frequentemente essa afirmação simplesmente significa que você terá que encontrar seu próximo emprego sem ajuda externa . O problema é que esse conselho já está desatualizado. Os trabalhadores de hoje precisam esquecer completamente os empregos e procurar , em vez disso, o trabalho que precisa ser feito - e então se organizarem quanto à melhor maneira de realizar o trabalho” prefácio XV

Atividade do texto 2

Qual é a tese defendida por William Bridges neste texto?

Texto 3.

O trecho abaixo foi retirado do capítulo: O Empregado Autônomo , capítulo 18 do livro Powershift. As Mudanças do Poder. Alvin Toffler, RJ, Editora Record,1993
O texto abaixo apresenta uma dificuldade um pouco maior do que os anteriores. A base da dificuldade desse texto é o grande número de conceitos que o aluno precisa dominar para poder entender exatamente o que o autor está afirmando. Esse tipo de dificuldade, por sua vez, cria um complicador a mais; fica difícil distinguir o que é essencial e o que é secundário no texto abaixo. Por isso ele exigirá um esforço maior.

“ Grande parte da relativa impotência da classe trabalhadora industrial era derivada precisamente deste fato; eles eram intercambiáveis. Desde que os cargos exigiam pouca qualificação e os operários podiam ser treinados em pouco tempo para fazer uma tarefa de cor, um operário era tão bom quanto outro qualquer. Especialmente em períodos de excesso de mão de obra , os salários baixavam e os operários , mesmo quando sindicalizados , tinham pouco poder de barganha.
(....)
Além do mais , à medida que o componente do conhecimento do trabalho aumenta, os empregos se tornam mais individualizados, isto é, menos intercambiáveis. Segundo o consultor James P Ware, vice-presidente do Index Group ‘ os trabalhadores com base no conhecimento são cada vez menos substituíveis. As ferramentas são usadas de maneiras diferentes por cada trabalhador que usa o conhecimento. Um engenheiro usa o computador de forma diferente do seguinte. Uma analista de mercado analisa as coisas de uma maneira ; o seguinte é diferente.’
Quando um trabalhador vai embora , a companhia precisa encontrar outro com capacidade igual, o que se torna matematicamente mais difícil ( e mais dispendioso) à medida que aumenta a variedade de aptidões , ou terá que treinar outra pessoa , o que também é dispendioso. Daí os custos de substituir qualquer indivíduo aumentam , e o poder de barganha desse indivíduo aumenta na mesma proporção. “
(......)
Na era das chaminés, nenhum empregado isolado tinha um poder significativo em qualquer disputa com a firma. Só uma coletividade de trabalhadores, unidos e ameaçando parar os músculos, podia obrigar uma administração recalcitrante a melhorar o salário ou as condições de trabalho. Só a ação em grupo podia reduzir ou parar a produção, porque qualquer indivíduo era facilmente intercambiável e, por isso , substituível. Foi essa a base para a formação dos sindicatos dos trabalhadores.
(....)
[ Hoje] Muito mais importante é o deslocamento em direção à não intercambialidade. Á medida que o trabalho fica mais diferenciado , a posição de barganha dos indivíduos com aptidões cruciais vai melhorando . Os indivíduos, e não apenas os grupos organizados , podem exercer influência.
(...)
Hoje estamos passando pela transferência seguinte de poder no local de trabalho. Uma das grandes ironias da história é o fato de estar surgindo um empregado autônomo que, de fato, é dono dos meios de produção. Os novos meios de produção, no entanto, não se encontram na caixa de ferramenta do artesão ou na maciça maquinaria da era das chaminés. Eles estão , em vez disso, estalando no interior do crânio do empregado- onde a sociedade irá encontrar a mais importante fonte individual de riqueza e poder futuros. “

Atividade do texto 3. Qual a tese defendia por Alvin Toffler no texto acima?

Te      
Texto 4.

 O  texto abaixo intitula-se As dimensões da crise no mundo do trabalho, escrito por Ricardo Antunes , autor de vários livros sobre Sociologia do Trabalho. Este encontra-se no seguinte endereço eletrônico: http://www.adua.org.br/artigos.php?cod=92

O texto abaixo apresenta a visão de um autor marxista sobre o cenário no mundo do trabalho nos dias atuais. Este texto também traz o complicador do texto acima. Ele utiliza conceitos que são desconhecidos para a quase totalidade dos alunos dos primeiros anos. Além disso, o aluno deverá perceber que no texto dois temas são tratados.  

"Nos últimos anos, particularmente depois da década de 1970, o mundo do trabalho vivenciou uma situação fortemente crítica, talvez a maior desde o nascimento da classe trabalhadora e do próprio movimento operário inglês. O entendimento dos elementos constitutivos desta crise é de grande complexidade, uma vez que, neste mesmo período, ocorrem mutações intensas, de ordens diferenciadas, e que, no seu conjunto, acabaram por acarretar consequências muito fortes no interior do movimento operário, e, em particular, no âmbito do movimento sindical. O entendimento deste quadro, portanto, supõe uma análise da totalidade dos elementos constitutivos deste cenário, empreendimento ao mesmo tempo difícil e imprescindível, que não pode ser tratado de maneira ligeira.
Neste artigo, vamos somente indicar alguns elementos que são centrais em nosso entendimento, para uma apreensão mais totalizante da crise que se abateu no interior do movimento operário. ....
Começamos dizendo que neste período vivenciamos um quadro de crise estrutural do capital, que se abateu no conjunto das economias capitalistas, especialmente a partir do início dos anos 70. Sua intensidade é tão profunda que levou o capital a desenvolver "práticas materiais da destrutiva  auto reprodução ampliada ao ponto em que fazem surgir o espectro da destruição global, em lugar de aceitar as requeridas restrições positivas no interior da produção para satisfação das necessidades humanas".
Esta crise fez com que, entre tantas outras consequências, o capital implementasse um vastíssimo processo de reestruturação, com vistas à recuperação do ciclo de reprodução do capital e que, como veremos, afetou fortemente o mundo do trabalho. Retomaremos adiante este ponto.

Um segundo elemento fundamental para o entendimento das causas do refluxo do movimento operário decorre do explosivo desmoronamento do Leste europeu (e da quase totalidade dos países que tentaram uma transição socialista, com a URSS à frente), propagando-se, no interior do mundo do trabalho, a falsa ideia do "fim do socialismo". Embora a longo prazo as consequências do fim do Leste europeu sejam eivadas de positividades (pois coloca-se a possibilidade da retomada, em bases inteiramente novas, de um projeto socialista de novo tipo, que recuse, entre outros pontos nefastos, a tese staliniana do "socialismo num só país" e recupere elementos centrais da formação de Marx), no plano mais imediato houve, em significativos contingentes da classe trabalhadora e do movimento operário, a aceitação e mesmo assimilação da nefasta e equivocada tese do "fim do socialismo" e, como dizem os apologistas da ordem, do fim do marxismo.

E mais, ainda como consequência do fim do chamado "bloco socialista", os países capitalistas centrais vêm rebaixando brutalmente os direitos e as conquistas sociais dos trabalhadores, dada a "inexistência", segundo o capital, do "perigo socialista" hoje. Portanto, o desmoronamento da URSS e do Leste europeu, ao final dos anos 80, teve enorme impacto no movimento operário. Bastaria somente lembrar a crise que se abateu nos partidos comunistas tradicionais, e no sindicalismo a eles vinculado. (...)

É preciso acrescentar ainda que, com a enorme expansão do neoliberalismo a partir de fins dos anos 70, e a consequente crise do Welfare-State, deu-se um processo de regressão da própria social-democracia, que passou a atuar de maneira muito próxima da agenda neoliberal. O projeto neoliberal passou a ditar o ideário e o programa a serem implementados pelos países capitalistas, inicialmente no centro e logo depois nos países subordinados, contemplando restruturação produtiva, privatização acelerada, enxugamento do estado, políticas fiscais e monetárias sintonizadas com os organismos mundiais de hegemonia do capital como FMI e BIRD, desmontagem dos direitos sociais dos trabalhadores, combate cerrado ao sindicalismo classista, propagação de um subjetivismo e de um individualismo exacerbados da qual a cultura "pós-moderna" é expressão, animosidade direta contra qualquer proposta socialista contrária aos valores e interesses do capital etc.
(...)

Como resposta do capital à sua crise estrutural, várias mutações vêm ocorrendo e que são fundamentais nesta viagem do século XX para o século XXI, caso se queira, como ensinou Marx, "apoderar-se da matéria, em seus pormenores, analisar suas diferentes formas de desenvolvimento e de perquirir a conexão íntima que há entre elas" (conforme a nossa epígrafe recolhida do posfácio à 2ª edição de O capital, de 1873). Uma delas, e que tem importância central, diz respeito às metamorfoses no processo de produção do capital e suas repercussões no processo de trabalho.

Particularmente nas últimas décadas, como respostas do capital à crise dos anos 70, intensificaram-se as transformações no próprio processo produtivo, através do avanço tecnológico, da constituição das formas de acumulação flexível e dos modelos alternativos ao binômio taylorismo/fordismo, no qual se destaca, para o capital, especialmente, o modelo "toyotista" ou o modelo japonês. Estas transformações, decorrentes, por um lado, da própria concorrência intercapitalista e, por outro, dada pela necessidade de controlar o movimento operário e a luta de classes, acabaram por afetar fortemente a classe trabalhadora e o seu movimento sindical.

Fundamentalmente, essa forma de produção flexibilizada busca a adesão de fundo, por parte dos trabalhadores, que devem abraçar, de "corpo e alma", o projeto do capital.
Procura-se uma forma daquilo que chamei, em Adeus ao trabalho? de envolvimento manipulatório levado ao limite, no qual o capital busca o consentimento e a adesão dos trabalhadores, no interior das empresas, para viabilizar um projeto que é aquele desenhado e concebido segundo os fundamentos exclusivos do capital.

Atividades do texto 4

4.1. Qual  é a tese apresentada na primeira parte do texto?

4.2. Qual é a tese apresentada na segunda parte do texto?

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Ficha de avaliação para o trabalho de final de curso


Atenção. A ficha abaixo será entregue a  cada grupo no dia da sua apresentação. 


Os alunos não precisam trazer essa folha. 

O objetivo da postagem dessa ficha de avaliação é informar aos alunos os 
critérios pelos quais o trabalho de final de curso será avaliado. Espero, com isso, que ao elaborar a apresentação os alunos possam ver se cumprem todos os quesitos pelos quais serão avaliados  



FICHA DE AVALIAÇÃO PARA A APRESENTAÇÃO FINAL DO CURSO


livro O Homem da Companhia


Turma __________________ DATA__________________ 


NOTA_____________________________________



Capítulo que serviu de base para o trabalho _____________________________________________________________________________________



Nome dos praticantes do grupo presentes na apresentação
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________________________________________________________________________________________


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Questão a ser problematizada com o trabalho

______________________________________________________________________________________

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Tema ________________________________________________________________________________________

________________________________________________________________________________________


Título) _______________________________________________________________________________________


Tempo da apresentação________________________

O grupo fez a apresentação dentro do tempo estabelecido ?

(        ) sim (      ) não .

 A questão a ser problematizada ficou clara clara para a audiência?  
    

(        ) sim                          (        ) não                (             ) em termos

O tema está bem delimitado ?

(       ) sim                         (        ) não                         (         ) em termos

O trabalho tem um título ?

(                    ) sim                           (                   ) não

O título foi instigante ?

(                ) sim,                    (                 ) não

O grupo apresentou a importância do tema ?
(                      )sim                                  (                      ) não

A importância citada pelo grupo foi motivadora  ?
(                  ) sim                 (                  ) não                    (                  ) em termos.


No desenvolvimento , ficou clara a relação de cada um dos itens do desenvolvimento com o tema escolhido ?

(             ) sim                                      (                    ) não                (                   ) em termos .

No desenvolvimento, os itens do desenvolvimento foram bem explicados ?

(                 ) sim             (                  ) não                           (                    ) em termos .

O grupo fez uma conclusão ?

(                     ) sim                            (                   ) não

A conclusão resumiu o que foi falado ?

(                                  ) sim                                        (                       ) não

O grupo conseguiu responder satisfatoriamente as criticas feitas?

(                         ) a todas elas             (             ) a algumas delas         (                 ) a nenhuma delas .

OBSERVAÇÕES DO PROFESSOR

quinta-feira, 28 de março de 2019

Material para a apresentação de final de curso


No final  do curso os alunos deverão fazer uma apresentação oral sobre  capítulos do livro 
O Homem da Companhia. Uma História dos Executivos.  Sampson, Anthony. SP. Companhia das Letras ,1996. 

O roteiro do trabalho será dado posteriormente. Todos os grupos deverão seguir esse roteiro. 

O ideal seria que os alunos lessem o livro inteiro. Como foi falado em sala, esse livro enriquece e muito a formação acadêmica em Administração. 

Para facilitar, selecionei os capítulos que mais fáceis e que, por isso mesmo, poderão gerar apresentações melhores 

Não poderá haver dois grupos com o mesmo capítulo. 
A escolha do capítulo é por ordem de chegada. Quem escolher primeiro fica com o capítulo.

Lista de capítulos 
Capítulo 4. A Máquina e a Donzela
Capítulo 5. Gerentes e Déspotas 
Capítulo 8 . Família versus Burocratas
Capítulo 9. A Revolta 
Capítulo 11. Ventos do Oriente 
Capítulo 15. Papai foi embora 
Capítulo 19. Mulheres da Companhia 

A partir da aula do dia 29 de março já serão aceitas escolhas de capítulo. Para tanto basta o  nome de um aluno (não precisa ter o nome de todos os componentes do grupo) e o capitulo escolhido. 

sábado, 23 de março de 2019

aula 4 SOCIOLOGIA , SURGIMENTO E TRAJETÓRIA


ESQUEMA DA AULA 4

Sociologia, surgimento e trajetória

1) Hipóteses sobre o surgimento da sociologia

1.a) Ela é muito antiga (Platão sec. V aC, Ibh Khaldun, sec XIV e Maquiavel sec XVI)

1.b) Ela mais recente (século XIX)
Os defensores dessa tese afirmam que ela só surgiu quando assumiu uma forma científica e foi institucionalizada (virou matéria em universidade, publicação de revistas , organização de congressos etc.)


2) O contexto que explica a criação da Sociologia

A ideia que vamos defender aqui tem suas bases em Anthony Giddens.  Ele não se interessa em marcar uma data, mas  em demarcar o contexto do surgimento desse conhecimento.
Seguindo as ideias desse autor podemos dizer que a Sociologia é fruto de uma mudança de mentalidade ou de novas crenças. Essa mudança de mentalidade ou o aparecimento de novas crenças decorrem de três grandes processos históricos também chamados de revoluções.

2.1) A Revolução Científica (sec XVI a XVIII) . A Revolução Científica estabelece nova base para o conhecimento. Antes a verdade estava baseada na revelação ou na autoridade. Com a Revolução Científica a verdade será fruto do uso da razão baseada na observação e na experiência.
A Revolução Científica estabelece a mentalidade ou crença que a realidade pode ser conhecida de forma científica. E esse conhecimento dará maior poder pois possibilitará o controle da natureza.

2.2. A Revolução Francesa (séc. XVIII) . A Revolução Francesa foi uma transformação radical na sociedade feita sob a orientação das ideias ou ideais iluministas.
A Revolução Francesa estabelece a mentalidade ou crença de que a realidade social pode ser transformada segundo um plano racional.

2.3. A Revolução Industrial (século XIX) A Revolução Industrial era a imagem do progresso, mas também ela trouxe ou deu mais visibilidade a vários problemas sociais.
Ganhou força , no século XIX, a crença que os problemas sociais podiam e deviam ser resolvidos.

Conclusão__________Assim, a sociologia foi criada para resolver os problemas sociais. Mas ela só poderia fazer isso porque se acreditava que o conhecimento por ela gerado daria uma boa explicação de porque esses problemas ocorrem e assim se poderia agir para resolvê-los. Isso só seria possível porque, pela crença gerada pela Revolução Francesa, a realidade social poderia ser transformada segundo um plano racional (esse plano racional seria fornecido pela ciência da sociedade ou Sociologia)

3. A Trajetória da Sociologia

3.1. Tornou-se um conhecimento valorizado nos meios acadêmicos como um campo próprio e como um campo auxiliar de outros conhecimentos (sociologia da educação, sociologia do direito, sociologia da administração, sociologia da arte, etc)

3.2. Gera conhecimentos quer orientam práticas (pesquisa eleitoral, pesquisa de marketing, ações de governo, etc)

segunda-feira, 11 de março de 2019

Esquema de aula. Aula 3. A SOCIEDADE MODERNA



1. A noção de modernidade.

A palavra moderno vem do latim (hodierno). No passado ela indicava apenas o tempo presente (agora/atualmente)

No final do século XVII ela passa a ter um sentido valorativo (se torna um adjetivo) Autores para diferenciar a literatura dessa época a rotularam de moderna em contraposição à literatura feita na antiguidade clássica (Grécia e Roma). Eles viam a literatura moderna como melhor (superior)

Nas Ciências Sociais a noção de modernidade (não a palavra) veio com os Iluministas e sua noção de progresso.

O evolucionismo do século XIX colocou as sociedades europeias no ápice do processo evolutivo. Elas eram modernas em contraposição às sociedades primitivas ou tradicionais.

Assim, um determinado tipo de sociedade passou a ser visto como superior (ser moderno é ser melhor/superior)
Isso implica numa visão etnocêntrica (etnocentrismo)

A Antropologia contemporânea crítica o evolucionismo e o etnocentrismo a ele associado. Ela defende o relativismo cultural (não existem sociedades superiores, apenas diferentes)

Questão: A modernidade se tornou um valor universal?
Possíveis respostas
a. Não______________________________________________________________

___________________________________________________________________

b. Sim  ____________________________________________________________

Características gerais das sociedades modernas

1. Característica econômica________ ter um parque industrial expressivo (para muitos cientistas sociais a sociedade moderna é chamada de sociedade industrial)

2.  Características políticas

2.a. Se organizar como estado-nação (em contraposição à tribo, ao bando e a outras formas de organização política que não sejam sob a forma de estado.

2.b. Se organizar sob a forma de democracia-liberal

2.c. Promover a cidadania (direitos)
Direitos políticos_____________________________________________________

___________________________________________________________________

Direitos civis. Garantem a liberdade______________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

Direitos sociais; Promovem a igualdade____________________________________

____________________________________________________________________

___________________________________________________________________

3. Características culturais

3.a. Cientificismo _____________________________________________________

3.b. Secularismo_______________________________________________________

3.c. Individualismo ____________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

ATIVIDADES



TEXTO 1. O texto 1 fala de uma processo histórico que aconteceu no Japão e que ficou conhecido como Era Meiji e recebeu esse nome porque neste período ele foi governado pelo imperador Meiji . Esse período vai de 1867 até 1912. Ao final desse período o Japão tinha deixado de ser feudal e se tornou uma potência mundial.
 Este texto foi  extraído do livro Ocidentalismo. O Ocidente aos Olhos dos seus Inimigos. Ian Buruma e Avishai Margalit. RJ.Zahar Editores, 2006, p.
 “Naquele momento, para os asiáticos, o ocidente também representava - e em certa medida, ainda hoje representa, o colonialismo. Desde o século XIX, quando a China foi humilhada na Guerra do Ópio, os japoneses cultos perceberam que a sobrevivência nacional dependia do estudo cuidadoso e da emulação das ideias do ocidente. Jamais uma grande nação empreendera transformação tão radical quanto o Japão entre as décadas de 1850 e 1910. O principal slogan da era Meiji (1868/1912) eram Bunmei Kaika, ou Civilização e Iluminismo, isto é, civilização ocidental e iluminismo. Tudo o que vinha do ocidente , da ciência natural ao realismo literário , foi vorazmente absorvido pelos intelectuais japoneses. O vestuário ocidental, a lei constitucional prussiana, as estratégias navais britânicas , a filosofia alemã , o cinema americano , a arquitetura francesa e muito , muito mais foi incorporado e adaptado.

A transformação rendeu frutos generosos. O Japão permaneceu imune à colonização e tornou-se rapidamente uma grande potência, a qual, em 1905 conseguiu derrotar a Rússia numa guerra integralmente moderna. De fato, Tolstoi descreveu a vitória japonesa como um triunfo do materialismo ocidental sobre a alma asiática da Rússia. Mas houve prejuízos. A revolução industrial japonesa, que ocorreu não muito depois da alemã, teve efeitos igualmente desordenadores . Um grande número de camponeses empobrecidos mudou-se para as cidades, onde as condições podiam ser cruéis. O exército era um refúgio brutal para jovens do interior, e suas irmãs, por vezes, tinham de ser vendidas aos prostíbulos das grandes cidades. Mas, além dos problemas econômicos, havia outra razão par que muitos intelectuais japoneses buscassem desfazer a indiscriminada ocidentalização do final do século XIX. Parecia que o Japão sofria de uma indigestão intelectual: engolira a civilização ocidental depressa demais. E isso explica, em parte , por que o grupo de literatos reunidos em Kyoto , na década de 30 do século 20, discutiu formas de mudar a história a fim de superar o ocidente, ser moderno e, ao mesmo tempo, retornar a um idealizado passado espiritual.
1.1. Os autores apresentam uma visão positiva da modernização do Japão. Exponha os argumentos que utilizaram para sustentar essa tese.
1.2. A modernização teve muitos críticos no Japão. Segundo o autor qual era a proposta desses críticos para sanar os males trazidos pela modernização.

TEXTO 2. Abaixo você lerá um trecho da biografia da imperatriz Cixi, que exerceu o poder na China nas últimas três décadas do século XIX.
“E assim, Cixi eliminou todos os obstáculos e reconduziu o  império ao rumo que tinha definido antes. Dessa vez ela aceleraria o ritmo do progresso. Durante a reclusão forçada no harém, sua mente não estivera ociosa e ela aprendera muito a respeito do cenário internacional,  a partir dos relatórios e diário dos viajantes que enviara para o exterior naquelas primeiras expedições. Em Hong-Kong e em outros portos haviam surgido novos jornais ao estilo ocidental disponíveis na corte , onde tinham se tornado fontes de informação imprescindíveis. Em comparação com uma década atrás, quando, pela primeira vez ela chegara o poder, Cixi tinha agora muito mais conhecimento , não só do Ocidente , como também da modernidade. Estava convencida de que a modernização era a resposta para os problemas do império- e sabia também que tinha perdido muito tempo” ( A Imperatriz de Ferro. A concubina que criou a China moderna . Jung Chang. SP. Companhia das Letras, 2013, p.153.
Questão 2.1. O texto concorda ou discorda que a modernização (o modelo de sociedade moderna)  estava , no século XIX,  se tornando um valor universal? Justifique a sua resposta.

TEXTO 3. O texto abaixo foi extraído do livro O que deu errado no Oriente Médio, Bernard Lewis. RJ. Editora Zahar, 2002. Este trecho fala com o  seguir fala de uma revolução que aconteceu na Turquia em 1908. Ela foi liderada por um grupo de oficiais do exército e que tinha um projeto de levar a Turquia em uma nova direção
“A Revolução Turca significa uma transformação mais ampla do que a palavra revolução que o sugere. […] Ela significa a substituição de uma unidade política antiga, baseada na religião, por uma baseada em outro laço, o da nacionalidade. Essa nação agora aceitou o princípio de que o único meio de sobrevivência na arena internacional está na aceitação da civilização ocidental contemporânea. Essa nação aceitou também o princípio de que todas as suas leis devem estar baseadas apenas em terreno secular, em uma mentalidade secular quem aceita a regra da contínua mudança de acordo com o desenvolvimento e a mudança nas condições de vida.”
Questão  3.1. Em que direção os chamados jovens turcos (os oficias que lideraram a revolução ) pretendiam levar a Turquia. Justifique a sua resposta com alguma ideia contida no texto.
TEXTO 4. Trechos do livro A Al-Qaeda e o que significa ser moderno
John Gray. RJ. Editora Record, 2004. Páginas 11 e 12 )
“ Os guerreiros suicidas que atacaram Washington, Nova York em 11 de setembro de 2001 fizeram mais do matar milhares de civis e demolir o World Trade Center. Eles destruíram o mito dominador do Ocidente.
As sociedades ocidentais são dominadas pela crença de que a modernidade é uma condição única , por toda parte a mesma e sempre benigna. À medida que as sociedades se tornam mais modernas , ficam mais parecidas. Ao mesmo tempo, tornam-se melhores. Ser moderno significa realizar nossos valores – os valores do Iluminismo , como gostamos de pensar.
Nenhum lugar comum é mais espantoso do que o que descreve a Al-Qaeda como uma revivescência da época medieval . Ela é um subproduto da globalização. Assim como os cartéis mundiais das drogas e as grandes empresas do comércio virtual que se desenvolveram nos anos 1990, evoluiu numa época em que a desregulamentação financeira criou grandes reservatórios de riqueza no estrangeiro e o crime organizado tornou-se global. Sua característica mais distintiva - planejar uma forma privatizada de violência organizada no mundo inteiro- seria impossível no passado. Do mesmo modo, a crença de que um mundo novo pode ser apressado por atos espetaculares de destruição não se encontra em parte alguma na época medieval . Os precursores mais próximos da Al-Qaeda são os anarquistas revolucionários da Europa no final XIX
Quem duvidar que o terror revolucionário é uma invenção moderna resolveu esquecer a história recente. A União Soviética foi uma tentativa de corporificar o ideal iluminista de um mundo sem poder e sem conflitos. Em busca deste ideal, matou e escravizou dezenas de milhões de seres humanos. A Alemanha nazista cometeu o pior genocídio da história. E o fez com a meta de criar um novo tipo de ser humano. Nenhuma era anterior abrigou projetos assim. As câmaras de gás e os gulags são modernos.

4.1) Para John Gray a modernidade se tornou um valor universal ? Justifique a sua resposta.
4. 2) O texto afirma que a organização terrorista Al Qaeda tem uma relação ambivalente com a modernidade. Explicite essa ambivalência.
TEXTO 5. Abaixo você lerá um trecho do livro . Modernidade e Holocausto, Zygmunt Bauman, RJ. Zahar, 1998, p.112 . É um texto acadêmico típico e, portanto, pode colocar algumas dificuldades de entendimento.

“ O assassinato em massa não é uma invenção moderna. A história está cheia de antagonismos entre comunidades e seitas, sempre mutuamente prejudiciais e potencialmente destrutivos, muitas vezes degenerando em aberta violência, que por vezes leva ao massacre e, em alguns casos, ao extermínio de populações e culturas inteiras. Diante disso, parece negar-se a singularidade do Holocausto. Em especial, sua íntima ligação com a modernidade, a "afinidade eletiva" entre o Holocausto e a civilização moderna. O fato sugere, ao contrário, que o ódio comunitário mortífero sempre esteve entre nós e provavelmente nunca deixará de existir; e que nesse ponto a única importância da modernidade foi que, ao contrário do que prometia e da expectativa generalizada, não aparou suavemente as arestas sabidamente ásperas da coexistência humana e, portanto,  não pôs um fim definitivo à desumanidade do homem para com o homem. A modernidade não cumpriu o prometido. Ela falhou. Mas não é responsável pelo Holocausto, uma vez que o genocídio acompanha a história da humanidade desde o início.

Não é esta, porém, a lição contida no Holocausto. Sem dúvida o Holocausto foi mais um episódio na extensa série de tentativas e na série bem mais curta de êxitos em matéria de assassinatos em massa. Também tem aspectos que não compartilha com nenhum dos casos de genocídio anteriores. São esses aspectos que merecem especial atenção. Eles tiveram um nítido sabor moderno. Sua presença sugere que a modernidade contribuiu para o Holocausto mais de forma direta do que por sua própria fraqueza e inépcia. Sugere que o papel da civilização moderna na perpetração e extensão efetiva do Holocausto foi um papel ativo, não passivo. Sugere que o Holocausto foi tanto um produto como um fracasso da civilização moderna. Como tudo o mais que se faça à maneira moderna - racional, planejada, cientificamente fundamentada, especializada, eficientemente coordenada e executada - o Holocausto superou e esmagou todos os seus supostos equivalentes pré-modernos, expondo-os comparativamente como primitivos, perdulários e ineficientes. Como tudo o mais na nossa sociedade moderna, o Holocausto foi um empreendimento em todos os aspectos superior, se medido pelos padrões que esta sociedade pregou e institucionalizou. Paira bem acima de episódios anteriores de genocídio, da mesma forma que a fábrica moderna está muito acima da antiga oficina do artesão ou que a fazenda mecanizada, com seus tratores, ceifeiras-debulhadoras e pesticidas, supera em muito a velha roça com o seu arado puxado a cavalo e a capina de enxada “ 
Questões
5.1. O autor tem uma visão positiva ou negativa da modernidade? Justifique a sua resposta com alguma afirmação do texto.
5.2. Como o autor relaciona o holocausto à modernidade?


sábado, 2 de março de 2019

Esquema de aula. AULA 2


AULA 2
ESQUEMA DE AULA
Título__ A Importância da Sociologia para a Formação Acadêmica do Administrador.
Tese_____ Vai ser defendido que a Sociologia é  um conhecimento muito importante na formação do futuro administrador.
Obs__ Estamos falando em Sociologia, mas aqui também se inclui conhecimentos das áreas tradicionalmente atribuídas à Ciência Política e à Antropologia.
Ponto de partida____ Nos cursos de Administração tanto no Brasil quanto no exterior uma carga horária em Sociologia é obrigatória nos cursos de Administração.
Para ficar mais clara a explicação dessa importância vamos nos concentrar apenas nas empresas que é o lugar de trabalho pretendido pela maioria dos alunos que fazem o curso de Administração.
A nossa argumentação vai se basear em duas afirmações
1. A empresa existe  num universo social que influencia ou determina a sua maneira de ser e até mesmo, por vezes, o seu sucesso ou o seu fracasso.
Dentre os elementos que compõem esse ambiente social externo podemos citar
a)O Estado. O Estado interfere sobre as empresas quer seja pelo seu poder normativo (fazer leis) quer seja por políticas de governo
b) A cultura da sociedade em que empresa opera
c) Os grupos de pressão
2. Existe um ambiente social no interior de cada empresa que influencia ou determina a sua maneira de ser, o seu sucesso ou fracasso.
Elementos que compõem esse ambiente social interno :
a) A estrutura de poder ____ a forma como o poder é exercido no interior da empresa
b) A cultura organizacional____  os valores, normas, crenças e outros elementos simbólicos que dão sentido a existência dos funcionários no interior da empresa e o sentido ao trabalho que eles fazem.
Conclusão_________ Se a empresa existe num ambiente social que influencia ou determina a sua maneira de ser e se existe um ambiente social no interior de cada empresa que também influencia ou determina a sua maneira de ser , então a Sociologia é importante porque é ela (o conhecimento fornecido por ela) que nos possibilita entender o que são esses fatores sociais externos e interno e como eles agem sobre a empresa.

Atenção. Os dois textos abaixo tratam apenas do ambiente social externo a empresa.
AMBIENTE DE NEGÓCIOS

Vamos chamar de ambiente de negócios os fatores legais, políticos, culturais, educacionais e sociais que podem estimular ou dificultar o funcionamento , o crescimento e a implantação de novos negócios num determinado país. Na aula aprendemos que as empresas existem num universo social que, de alguma forma, em maior ou menor grau, interfere sobre a sua maneira de ser e o seu desempenho..
Escolhemos os textos abaixo porque eles ilustram e dão uma idéia precisa do ambiente de negócios existente no Brasil. Eles apresentam alguns fatores , mas não os únicos, do ambiente que podem interferir sobre a decisão de grupos estrangeiros escolher o Brasil como base de negócios. Mas o ambiente de negócios também interfere na decisão de empresários existentes ampliar os seus negócios ou sobre a possibilidade de cidadãos brasileiros se tornarem novos empreendedores.

TEXTO 1


O Estado de São Paulo 11 de Setembro de 2007
Um drama brasileiro em chinês

" O governo brasileiro quer atrair o investidor estrangeiro para empreendimentos produtivos, mas faz o possível para dificultar o investimento. Essa crítica tem sido feita por empresários chineses a seus colegas brasileiros e é um assunto bem conhecido no Conselho Empresarial Brasil-China. Os brasileiros da área empresarial podem apenas ouvir a reclamação e concordar. Eles têm as mesmas queixas e sabem melhor que ninguém como é caro e complicado investir no Brasil.
Pelo menos algumas autoridades conhecem a opinião chinesa sobre as dificuldades para aplicar capital de forma produtiva no País. Representantes do Ministério do Desenvolvimento têm participado de reuniões com empresários dos dois países. Mas as principais fontes de problemas estão em outras áreas do governo e algumas dessas têm desafiado com sucesso a autoridade do presidente da República. É o caso, por exemplo, dos condutores da política ambiental, habituados a agir como uma ONG no interior do governo.
Mas a absurda lentidão dos processos de licenciamento ambiental e as decisões de qualidade duvidosa compõem apenas uma parte - muito importante - do problema. Quando as barreiras ambientais são vencidas, o Tesouro público, em todos os níveis de governo, encarrega-se de tornar o projeto menos interessante, onerando com excesso de impostos e contribuições a compra de máquinas e outros equipamentos.
Quando, apesar de todos esses obstáculos, o empresário insiste em constituir uma empresa no Brasil, um novo problema aparece. Registrar o empreendimento pode consumir meses, porque as autoridades brasileiras dão mais importância ao ritual - quanto mais complicado, melhor - do que a resultados de interesse prático para a sociedade. O vício da burocracia inútil manifesta-se também, segundo os chineses, na concessão de passaportes para negócios.
Há, ainda, os custos associados às leis trabalhistas e previdenciárias, elaboradas para promover os interesses do trabalhador empregado, mas não para ampliar as oportunidades de quem não tem emprego. Os chineses têm bons argumentos a respeito do assunto, formulados com base em sua experiência, até hoje bem-sucedida.
Eles têm conseguido absorver nas atividades urbanas várias centenas de milhões de trabalhadores originários do campo. Se não fossem capazes de fazê-lo, por causa de uma legislação social detalhista e pesada para as empresas, nem teriam conseguido a mão-de-obra necessária para sua indústria em rápido crescimento nem teriam impedido a formação de uma camada urbana improdutiva e sensível aos apelos da criminalidade.
Todas essas questões têm sido postas sobre a mesa por empresários brasileiros, em várias ocasiões, e por empresários de fora interessados em produzir no Brasil. Os chineses têm sido muito claros na indicação desses problemas e dispõem de uma respeitável caixa de ressonância, o Conselho Empresarial Brasil-China, formado para a discussão de temas de interesse comum e para a busca de soluções necessárias para a cooperação bilateral.
As queixas foram retomadas nos últimos dias, em duas reuniões do Conselho Empresarial Brasil-China, uma em Dalian, por ocasião de um evento do Fórum Econômico Mundial, outra em Xianmen, onde foi aberta no fim de semana uma feira internacional de oportunidades de negócios, com participação do Brasil.
A maior parte desses temas compõe a velha e jamais cumprida integralmente agenda de reformas. Houve algumas mudanças importantes nos anos 90, indispensáveis para o controle da inflação e para a reconstituição de instrumentos básicos da política econômica. Sem aquelas inovações, o País não disporia de uma política monetária nem haveria na área fiscal aquele mínimo de ordem - insuficiente, mas indispensável - observado há alguns anos na política fiscal."


Questões do primeiro texto 

1.1) Pelas notícias, você caracterizaria a situação existente no Brasil como favorável ou desfavorável à criação de um ambiente de negócios

1.2) Indique 3 elementos que justifiquem a sua opção na resposta anterior

TEXTO 2
AMBIENTE DOS NEGÓCIOS

“A melhoria do ambiente de negócios permite o surgimento de novas empresas e empregos; facilita o fechamento de indústrias com fraco desempenho (esse fechamento faz crescer a produtividade da economia); quem está no setor informal é estimulado a transitar para o formal, no qual os direitos são respeitados, há proteção social e acesso ao crédito. Traduzida no fundo pelo império da lei, a melhoria do ambiente de negócios ajuda a combater a pobreza (id.).
O efeito das reformas microeconômicas depende da expectativa dos investidores; se elas forem interpretadas como sinal de mais avanços em outros campos, os resultados serão muito positivos; se elas forem vistas apenas como manobra publicitária do governo, os resultados serão modestos (id.).
Não há dúvida sobre a importância das reformas no ambiente de negócios. Embora não possam ter uma poção mágica, não podem estar completamente erradas, porquanto todos os países ricos têm um ambiente muito melhor que os pobres. Na América Latina, salta aos olhos o exemplo do Chile, onde as reformas macro e micro se combinaram como enorme sucesso. Os países asiáticos também avançaram nessas reformas (id.).
O grau de amadurecimento das instituições de um país é o principal impulsionador ou entrave para o seu desenvolvimento, preconizou Douglass North, Prêmio Nobel de Economia de 1993, autor da Nova Teoria Institucional. Instituições não são somente as regras do jogo, mas também a tradição em respeitá-las.
“Ranking”
O Brasil situa-se na 119ª posição, numa lista de 155 países, nas condições oferecidas para o desenvolvimento de negócios, segundo o trabalho “Fazendo negócios: criando empregos” (“Doing business”) realizado pelo Banco Mundial (“Primeira Leitura”, São Paulo: Primeira Leitura, n. 45, nov. 2005, p. 25).
Em cada um dos dez quesitos avaliados pelo “Doing business”, o Brasil obteve a seguinte classificação: 1) abrir uma empresa: 98ª posição (são necessários 152 dias para abrir um negócio contra uma média de 19 dias nos países desenvolvidos); 2) lidar com licenças: 98ª (são necessários 460 dias para obter as licenças para operar); 3) contratar e demitir: 144ª; 4) registrar propriedades: 105ª; 5) conseguir crédito: 80ª; 6) proteção a sócios minoritários: 53ª; 7) pagar impostos: 140ª (as empresas brasileiras gastam 2.600 horas por ano para pagar a carga tributária contra uma média de 529 horas na América Latina e no Caribe); 8) negociar com o exterior: 107ª; 9) garantir os contratos: 70ª; 10) fechar empresas: 141ª (id., 25).
São obstáculos sérios para os negócios, de acordo com as empresas instaladas no Brasil (pesquisa “Investment climate” da “International Finance Corporation – IFC”, dados de 2003): 1) carga tributária (para 84,5% das empresas); 2) custos dos financiamentos (83,2%); 3) incertezas sobre as leis e o futuro da economia (75,9%); 4) instabilidade macroeconômica (74,9%); 5) corrupção (67,2); 6) custo da administração (66,1%); 7) acesso a financiamento (60,5%); 8) regras do mercado de trabalho (56,9%); 9) práticas anticompetitivas (56,4%); 10) crime, desordem e roubos (52,2%) (id., 29).
Parafernália normativa
O Brasil cria, por dia, em média, 36 normas tributárias (4 do governo federal) e 554 normas gerais, de 05 out. 1988 (início da vigência da nova CF) a 05 out. 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). No total, os governos editaram 225.626 normas tributárias (25.466 federais, 68.230 estaduais e 2.437.253 municipais) e 3.434.805 normas gerais (134.718 federais, 862.834 estaduais e 2.437.253 municipais). Dessa parafernália normativa, vigoram 16,2 mil normas tributárias. No período de 1988 a 2005, a carga tributária aumentou de 20,01% para 37,50% do PIB. As empresas brasileiras estão sujeitas a mais de 60 tributos, dentre impostos, taxas e contribuições. Como comparação, a China tem 25 tributos e carga fiscal na casa de 17% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 out. 2005, p. B1).
(...)
Fonte. Site de Newton Freitas http://www.newton.freitas.nom.br/artigos.asp?cod=238

Atividades. 

2.1) De que modo a realidade acima citada pode afetar a sua vida enquanto cidadão (consumidor) ?

2.2) De que modo a realidade acima descrita pode afetar a realização do seu projeto de se enquadrar profissionalmente como administrador ?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Esquema de aula. AULA 1


ESQUEMA DE AULA

Primeira aula

Título. A Crescente Importância do Pensamento Gerencial nas Sociedades Industriais Contemporâneas

Tese a ser defendida_____ O pensamento gerencial está se tornando um dos conhecimentos mais importantes nas sociedades industriais contemporâneas.

Elucidando os conceitos

Sociedades industriais contemporâneas___ este conceito indica que só estamos falando das sociedades não agrárias e que tenham uma base industrial expressiva.

Pensamento gerencial_______ vamos chamar de pensamento gerencial todo o conhecimento produzido pela Administração. É comum ler ou ouvir as expressões: pensamento econômico, pensamento sociológico ou pensamento teológico. Quem utiliza essas expressões está se referindo ao conhecimento produzido nestes campos (economia, sociologia e teologia)

Peculiaridade do pensamento gerencial_____ Como qualquer conhecimento ele é produzido nas universidades, mas diferente destes, ele também é produzido nas organizações

A crescente importância do pensamento gerencial. Para se entender essa crescente importância devemos nos voltar para um autor; Peter Drucker (1909/2005).
Atenção. Pesquise e relacione o nome de Peter Drucker com o pensamento gerencial (valendo ponto)
Para Peter Drucker uma organização é um conjunto de pessoas que se junta de forma permanente para atingir um determinado fim.

Há um critério (não é o único) que nos permite dividir as organizações existentes nas sociedades industriais; a busca do lucro. Então, segundo esse critério, existem organizações sem fins lucrativos e as com fim lucrativo (nesse caso estamos falando das empresas privadas)

As organizações precisam persistir ao longo do tempo. Isso quer dizer que elas precisam justificar a sua existência cumprindo com sucesso a função (objetivo) para a qual foram criadas. Muitas organizações também colocam como objetivo o crescimento.

Dessa forma, seja porque precisam justificar a sua existência, quer seja porque precisam crescer num mercado competitivo, elas devem ser eficientes.

Há várias formas de se avaliar a eficiência (lucratividade, produtividade, prestígio, etc.)
Atenção. Pesquise quem foi Frederick Taylor e relacione a expressão ‘the one best way’, que sintetiza e expressa a sua visão sobre a Administração com o conteúdo do parágrafo acima.  (valendo ponto. Perceba que o comando da pergunta é dado pelo verbo relacionar. É isso o que está sendo pedido para você)

Se as organizações buscam a eficiência, o pensamento gerencial é o único conhecimento capaz de garantir a eficiência dessas organizações

Embora esta tenha sido uma aula que trata especificamente da importância do pensamento gerencial , ela é uma aula de sociologia porque a explicação dessa crescente importância está numa determinada característica das sociedades industriais (o fato de serem sociedades de organização) .  


TEXTO 1

Um país mal administrado

Stephen Kanitz 

Um país do tamanho do Brasil, com os recursos naturais e a população que tem, não é exatamente um país com problemas econômicos. Somos, sim, um país muito mal administrado. Não sabemos administrar os Estados, não sabemos administrar nossas dívidas, não sabemos administrar nossa previdência nem nossa segurança. Nossos governantes e ministros normalmente não são formados em administração nem fizeram aqueles cursos de MBA que proliferam por aí.

A maioria dos nossos ministros nunca trabalhou numa das 500 maiores empresas do país, nem como presidente nem como diretor. Fernando Henrique Cardoso teve como ministros muitos professores brilhantes, que administravam sessenta obedientes alunos e de um momento para o outro passaram a administrar mais de 5.000 funcionários públicos, sem formação em administração, recursos humanos, motivação, liderança nem avaliação de desempenho. Teriam sido bons assessores, não executivos.

Embora o Brasil forme administradores públicos competentes, eles são os primeiros a ser preteridos para os principais cargos da administração pública. O escolhido é amigo de campanha ou colega da época estudantil. Os Estados Unidos são a maior potência econômica não pela qualidade de suas teorias econômicas, mas pela qualidade de suas teorias administrativas. Algumas são modismos, outras funcionam.

Embora a imprensa americana sempre se refira ao governo como administração Bush ou "the Clinton administration", poucos jornais brasileiros usariam a expressão administração Cardoso para descrever nosso governo. Quarenta por cento dos colunistas americanos são gurus de administração, como Peter Drucker, Tom Peters e Michael Porter, que disseminam diariamente o mantra da eficiência, competência e boa administração. No Brasil, eles são substituídos por ex-ministros que escrevem justificando seus erros no governo e sobre como se deveria "administrar" o estrago que deixaram.

Em pleno século XXI, temos pouquíssimos administradores com uma coluna fixa na grande imprensa brasileira. Todo jornal brasileiro tem seu caderno de economia. Por que não criar os cadernos de engenharia, de sistemas, de advocacia ou de administração para poder ouvir as outras profissões que têm contribuições a dar sobre os problemas do país?

Nunca tivemos no Brasil um presidente formado em administração nem que tenha sido presidente de uma das 500 maiores empresas privadas antes de dirigir todo um país. Criticaram Lula, mas ele poderá ser o primeiro presidente a ter pelo menos trabalhado numa das 500 maiores empresas privadas do Brasil, porém, como operário.

O presidente Vicente Fox, do México, por ter sido presidente da Coca-Cola, aprendeu a negociar duro com os americanos. Muitos de seus ministros foram escolhidos de forma profissional, por uma empresa de headhunting, a Korn/Ferry International, que vasculhou o país à procura dos mais competentes executivos mexicanos. Em dois anos, o PIB do México já ultrapassou o do Brasil, embora não somente por essa razão.

Vamos torcer para que o próximo presidente e os próximos governadores não se atenham somente a seus amigos de campanha ou a pessoas sem experiência nem formação em administrar enormes organizações. Vamos rezar para que sejam escolhidos para o primeiro escalão do governo executivos de primeira e ministros com experiência administrativa, que tomem decisões não por critérios políticos, mas por critérios de custos e eficiência.


Revista Veja, edição 1772, ano 35, nº 40, 9 de outubro de 2002

ATIVIDADES
.

Atividade 1.1 O prof. Kanitz apresenta o que segundo ele seria um dos mais graves problemas do Brasil. Exponha a tese dele para explicar o , vamos dizer assim, atraso brasileiro.

Atividade 1.2 No texto, o professor Kanitz apresenta um argumento para fundamentar a sua tese, Explicite, em uma frase, esse argumento.

TEXTO 2
Acesse o seguinte link
https://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2013/05/para-melhorar-seguranca-publica.html

O texto fala sobre um grave problema da sociedade brasileira. Ele foi escrito em 2013 e, de lá para cá, o problema tem se agravado de forma crescente.
Atividades

Atividade 2.1. Para muitas pessoas a solução para o melhorar a segurança pública depende principalmente dos recursos (dinheiro público) para a área de segurança.O autor concorda com esta solução? Fundamente a sua resposta.

Atividade 2.2 Relacione o conteúdo desse artigo com o tema da aula

TEXTO 3

O PROBLEMA DA EDUCAÇÃO NÃO É FALTA DE DINHEIRO
Mailson da Nobrega.

A qualidade do capital humano é essencial para o desenvolvimento. A baixa qualidade da educação explica a perda da liderança econômica da Inglaterra para os Estados Unidos por volta de 1870 e para a Alemanha no fim do século XIX.

Para Rondo Cameron e Larry Neal, no livro: A Concise Economic History of the World, a Inglaterra foi o último país rico a universalizar a educação fundamental. A Revolução Industrial ocorreu, segundo eles, “na era do artesão inventor. Depois, a ciência formou a base do processo produtivo”.

Em vez dos recursos da natureza — algodão, lã, linho, minério de ferro —, a indústria passou a depender cada vez mais de novos materiais, nascidos da pesquisa científica.Nessa área, americanos e alemães, com melhor educação, venceram os ingleses. A Suécia, que era atrasada no início do século XIX,. se industrializou rapidamente graças à educação. Em 1850. Apenas 10% dos suecos eram analfabetos, enquanto um terço dos ingleses não sabia ler nem escrever.

No Brasil, até os anos 1960, acreditava-se que a educação seria mero efeito do desenvolvimento. Em 1950 os respectivos gastos públicos eram de apenas 1.4% do PIB. A partir dos anos 1970, a visão se inverteu. Convencemo-nos de que a prosperidade depende da educação. Os gastos subiram e hoje atingem 5,8% do PIB. A educação fundamental foi universalizada na década de 90 (um século e meio depois dos Estados Unidos e quase meio século depois da Coreia do Sul).

Agora, demandamos melhora da qualidade, mas a ideia está contaminada pelo hábito de esperar que a despesa pública resolva qualquer problema. Daí o equivocado projeto de lei que aumenta os gastos em educação para 10% do PIB. Na mesma linha, Dilma e o Congresso querem aplicar na educação grande parte das receitas do petróleo.


Proporcionalmente, nossos gastos em educação equivalem à média dos países ricos. Passamos os Estados Unidos (5.5% do PIB). Investimos mais do que o Japão, a China e a Coreia do Sul, três salientes casos de êxito na matéria (todos abaixo de 5% do PIB). Na verdade, a má qualidade da nossa educação tem mais a ver com gestão do que com falta de recursos.

O professor José Arthur Giannotti assim se referiu aos jovens que foram às ruas pedir mais dinheiro para o setor: “Pleiteiam mais verbas sem se dar conta da podridão do sistema. Mais do que verbas, é urgente uma completa revisão das instituições educativas vigentes. A começar pela reeducação dos educadores, que, na maioria das vezes, ignoram o que estão a ensinar”” (O Estado de S. Paulo, 19/6/2013).

Outro educador, Naercio Menezes Filho, citou o interessante caso de Sobral (Valor, 21/6/2013). Entre 2005 e 2011 o município cearense avançou quatro vezes mais rápido no ensino fundamental do que São Paulo, sem aumento significativo de despesa. “O gasto por aluno que Sobral usa para alcançar esse padrão de ensino nas séries iniciais é de apenas 3.130.00 reais, enquanto a rede municipal de São Paulo gasta ao redor de 6.000 reais por aluno, ou seja, duas vezes mais.”
(...)

A educação brasileira precisa de uma revolução gerencial e de prioridades, inclusive para gastar melhor os recursos disponíveis. Ampliar os respectivos gastos e destinar-lhe as receitas do petróleo agrada a certas plateias, mas o resultado poderá ser apenas o aumento dos desperdícios. Será péssimo para as próximas gerações.
(fonte. Revista Veja 27/07/2013)

Atividades.
Atividade 3.1.  Relacione o conteúdo do artigo com o tema da aula
Atividade 3.2. Entre gastar mais (recursos com a educação) e gastar melhor o autor se posiciona em defesa dessa segunda opção. Cite um argumento apresentado pelo autor para fundamentar a sua (dele) escolha.

Atividade 4. Acesse o link abaixo e leia o editorial do jornal O Globo sobre a saúde pública brasileira. Em seguida responda o que for pedido
https://oglobo.globo.com/opiniao/saude-publica-do-pais-sofre-de-ma-gestao-12010246

Atividade 4.1. Responda usando apenas três palavras a essência da crítica que o editorial do jornal O Globo faz ao sistema  público de saúde no Brasil.
Atividade 4.2. Relacione a resposta dada acima com o pensamento gerencial (teorias da Administração)